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Edição 2007

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Novos aliados e o que ainda temos a aprender com Sócrates

Fredric M. Litto
Presidente, Associação Brasileira de Educação a Distância – ABED

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O ano passado, 2006, foi um ano excepcionalmente bom para a Educação a Distância no Brasil (EAD). Talvez o acontecimento mais importante tenha sido a 22a Conferência Mundial de Educação a Distância do International Council for Open and Distance Learning (ICDE), entidade sediada em Oslo, na Noruega. O evento foi realizado no Rio de Janeiro, com a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) como instituição anfitriã e gerenciadora. Mil e quinhentas pessoas de 73 países participaram desse evento científico nos dias 3 a 6 de setembro, no Hotel Sofitel, na Praia de Copacabana. Quase 500 trabalhos foram apresentados, a maioria em língua inglesa.

Foi uma grande oportunidade para os profissionais brasileiros de EAD tomar conhecimento do estado-da-arte de EAD no resto do mundo, desde países líderes na prática, como o Reino Unido, Canadá, Austrália e China, quanto em países menores, como Irã, Finlândia e México.

Também foi uma esplêndida oportunidade para mostrar aos estrangeiros os excelentes trabalhos de prática e de pesquisa de EAD que se faz no Brasil. A ABED aproveitou a ocasião para lançar um livro em língua inglesa, Best Practices in Distance Learning in Brasil 2006, no qual vinte casos de excelência na prática de EAD foram analisados, desde universidades corporativas até instituições do ensino superior, médio e profissionalizante. Doze outros livros sobre EAD foram lançados durante a Conferência, o tempo colaborou bastante com o evento, e todos os momentos sociais foram animados, um bom exemplo de confraternização entre estrangeiros e brasileiros. O ICDE achou tão bem-sucedida a maneira da ABED de organizar uma Conferência desse porte, e resolveu se juntar a esta em todos os Congressos Internacionais de EAD da entidade brasileira nos próximos anos, realizando simultaneamente as Conferências Internacionais do ICDE.

O lançamento da Universidade Aberta do Brasil UAB também marcou um ponto alto no ano de 2006. Planejada pela Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação para estender o acesso ao ensino superior a milhões de brasileiros que, por qualquer motivo, precisam de uma solução alternativa aos meios convencionais de estudar, representa, por seu impacto em potencial em toda a sociedade brasileira, o início de um novo capítulo na história da EAD no país. Construída em forma de um consórcio de instituições nacionais de ensino superior, a UAB usará tanto as tecnologias de cursos por correspondência (muito apropriadas para as pessoas que ainda não têm acesso às novas tecnologias da informação e comunicação) quanto a web. É bem provável que os primeiros inscritos nessa nova forma de realizar estudos avançados sejam os muitos egressos do Telecurso2000, os quais já possuem a motivação e a auto-disciplina que a aprendizagem a distância exige do aprendiz.

O INEP, responsável pelo acompanhamento estatístico da educação no do Ministério da Educação do Brasil, recentemente informou que o país atualmente registra 8.866 cursos de pós-graduação lato sensu em funcionamento, sendo 8.801 presenciais e 65 a distância, e mais de 240 cursos de graduação a distância reconhecidos pelo Ministério. Do setor da educação corporativa no Brasil, o E-Learning Brasil reporta que quase dois milhões de funcionários e executivos regularmente aprendem a distância. Com esses números constantemente a crescer, os organizadores desse Anuário Estatístico vão precisar trocar suas calculadoras atuais para modelos mais novos, que comportam um maior número de dígitos.

Nessa visão otimista de expansão quantitativa e, espera-se, qualitativa da educação a distância, em todas as suas formas e em todos os níveis de aprendizagem no Brasil, e o reconhecimento internacional que a prática e a pesquisa relacionadas à EAD têm conquistado, é com grande prazer que convido o leitor dessa nova edição do Anuário Estatístico a mergulhar nos dados aqui apresentados. A famosa frase de Sócrates de que “a vida não-examinada não vale a pena viver” também serve para nós nesse momento. Os dados oferecidos e para onde permitem “examinar” a vida da EAD no Brasil, diagnosticando onde estamos, onde parece que vamos permitindo-nos mudar de caminho se sentirmos que o percurso deve mudar. Boa leitura e boa reflexão a todos!